ABEE-RJ se posiciona contra a privatização da Eletrobras


Prezados,

Infelizmente tenho que me posicionar como cidadão brasileiro:

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS! NÃO À PRIVATIZAÇÃO DE FURNAS!

Estão querendo privatizar a Eletrobras, bem como as empresas vinculadas ao setor energético. Ao contrário do que é propagado e infelizmente acompanhado por um percentual significativo da opinião pública diz, as empresas públicas do setor elétrico não dão prejuízo! Elas dão lucro, apesar dos diversos erros cometidos por governos sucessivos, que usaram a empresa para benefícios pessoais e para beneficiar interesses privados que alimentam o caixa dois de políticos, não comprometidos com a soberania e o desenvolvimento nacional.

Nas demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2017, Furnas teve um lucro nos três primeiros meses de R$672 milhões de reais. A empresa passa por processos de melhoria da gestão e da governança corporativa nos últimos cinco anos. Apesar dos desmandos políticos na empresa, os funcionários trabalham desde então na importante tarefa de fechar as brechas da corrupção e das tentativas desesperadas dos políticos de tomá-la de assalto nas caladas da noite. E têm sido um sucesso, traduzido em 2017 no resultado contábil apresentado.

Os funcionários da Eletrobras bem como os de Furnas são concursados, compartilham as dificuldades do dia a dia dessa Nação. A grande maioria comprometidos com a correção dos atos públicos, com a racionalização dos custos e do uso criterioso dos recursos das empresas. O compromisso é com o povo brasileiro que os escolheram através do critério meritocrático e impessoal – concurso público.

Em particular, os de Furnas tem como missão manter o Brasil “ligado”, sendo a espinha dorsal do sistema elétrico brasileiro com mais de 20.000 km de linhas de transmissão em alta tensão. Temos consciência de que por nossas Usinas e Linhas de Transmissão pulsa uma grande parte da energia que garante ao Brasil crescer e tornar a qualidade de vida dos brasileiros melhor.

Ao defendermos Furnas, bem como a Eletrobras, estamos defendendo a soberania do Brasile não fugimos dessa importante missão. A nossa querida Furnas atua desde o rio Paraná até o Tocantins, e faça sol, faça chuva, mantém o nosso sistema elétrico sempre ligado para atender o Brasil. A energia elétrica de sua casa provavelmente passa por suas linhas de transmissão. Furnas tem a missão de conduzir a energia da Usina de Itaipu, orgulho da engenharia brasileira, até o Estado de São Paulo, com cinco Linhas de Transmissão em 600 kV e 750 kV, irradiando a energia elétrica para toda a região sudeste e centro-oeste.

Furnas tem a missão de interligar o sistema elétrico da região Sul com o Sudeste, e a interligação da região Centro-Oeste com o Norte. Furnas tem a missão de transmitir a energia das duas usinas nucleares em Angra dos Reis para o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Com uma terceira a ser agregada ao SIN (Sistema Interligado Nacional) aumentando o suporte a demanda de Energia.

Furnas tem a missão de gerenciar os grandes reservatórios das Usinas do Rio Grande na divisa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo, e do reservatório da Usina de Funil no Estado do Rio de Janeiro. Água é um bem precioso demais! É a commodity do século 21!

Furnas assumiu os chamados do Governo Federal para superar desafios que a iniciativa privada não quis enfrentar e venceu todos os obstáculos com competência técnica e comprometimento. O que acontecerá se a privatização de Furnas e do sistema Eletrobras acontecer?

Ao entregar ativos tão estratégicos para o setor privado e as corporações estrangeiras, perderemos a capacidade de conduzir os interesses brasileiros. Tira do Brasil o poder de fazer escolhas com base, descritas no PNE (Plano Nacional de Energia) 2030 e 2050, em nossas necessidades. Será a perda da soberania. As decisões serão tomadas por interesses particulares e por empresas de outros países sem compromissos com o desenvolvimento do Brasil.

A Furnas de hoje, apesar de levada a prejuízos nos últimos anos até 2016, pratica preços de geração de energia muito baixos e segura as tarifas de energia elétrica para que não aumentem ainda mais. Não tenha dúvida que haverá alta de preços da tarifa de energia elétrica nos lares brasileiros se esta política hedionda ocorrer. Você acredita que as empresas privadas e corporações estrangeiras estarão interessadas no que o consumidor de energia elétrica brasileiro pensa sobre os futuros aumentos dos preços da energia? Claro que não! Elas estão preocupadas em aumentar seus lucros para enviar para aumentar o seu EBITDA e manter o controle sobre o Brasil.

Como podemos permitir que uma empresa brasileira com ativos tão estratégicos seja entregue ao capital estrangeiro?

Da mesma forma que a ABEE-RJ se manifestou contra a privatização da CEDAE, vemos que mesmo com a recessão e a crise econômica, Furnas será vendida a preço de banana! Só os ativos de Furnas somam R$40 bilhões de reais.
Ninguém fala nisso, mas o Governo Federal deve mais de R$ 20 bilhões de reais a FURNAS por indenizações devidas após as modernizações realizadas em seus ativos e que ainda não foram pagas. Além de comprarem por preço de banana, as corporações, leia-se capital estrangeiro, receberão mais R$20 bilhões de reais corrigidas pela inflação após a privatização. Que será mandado para fora do país!

Se Furnas permanecer sobre o controle do Estado, esse dinheiro será utilizado para ampliar o parque de geração e transmissão de energia a preços razoáveis, sem a busca desenfreada por lucros. Será o maior roubo da história do Brasil se a privatização for à frente.

Mas porque o Governo Federal quer privatizar Furnas e a Eletrobrás?

Independente dos potenciais de nosso país, com potencialidades ímpar no desenvolvimento e sermos soberanos no crescimento tecnológico, temos uma oligarquia ligada ao capital estrangeiro (com a conivência de boa parte da opinião pública), que estão compromissados com investidores estrangeiros, que visam obstruir a soberania do Brasil nas decisões relacionadas ao setor de energia. Esses abutres serão recompensados com gordas comissões em contas no exterior. Não sejamos inocentes e omissos!

Começa por Furnas, CHESF e depois vai para a Petrobras!

A saída é manter Furnas sobre o controle do Estado, e blindá-la do ataque da classe política, com a profissionalização da diretoria através de indicações de mercado, conselho de administração independente e com mandato determinado, auditoria independente, diminuição dos cargos gerenciais e implantação de rígidas metas de desempenho para todos os funcionários.

Brasil acima de tudo!!!

Atenciosamente,
Prof. Eng. Jorge Bitencourt
Presidente Licenciado da ABEE-RJ